sábado, 29 de novembro de 2008




LÁPIS DE COR



É daquele sorriso de bom dia que eu sinto falta, todas as manhãs aquele rosto de covinha me desejando um dia inteiro de previsões a favor, sempre a mesma saudação diferente. Ele quebrava o gelo da manhã, as minhas pausas de uma hora, o meu café silencioso, ele mordia as bolachas e sorria, propositalmente e sem querer ele bagunçava o meu sossego. O meu sossego mau humor que ele interrompia cheio de graça me chamando pra brincar.

Desde que parti nessa viagem sem fim pela vida adulta, não tinha mais paciência para desenhos animados, para as risadas do rabugento, as brigas de Tom e Jerry, as corridas de Penélope. Ele me fez sentar e eu calei todas as reclamações assistindo pica-pau, seu dvd de 50 melhores. Ele me enchia de graça na altura de seus 6 anos, dizendo que metade dele queria passear comigo e a outra queria brincar com os amigos.
Ele pintava os meus dias com lápis de cor e giz de cera, meus cabelos de azul e nunca esquecia dos óculos, ele sabia exatamente as minhas deficiências. Como pode a inocência ser capaz de tantas coisas, saber a fórmula exata sem dosar?


Menino Léo, meu primo mais novo, a saudade que tenho de Manaus é saudade de você.

Rosemeri Sirnes

3 comentários:

Marcelinha Zara disse...

Êta saudade que sempre nos pega desprevinido... mas é a ctz de que tudo valeu a pena e ainda valerá muito mais. Lindo o blog... parabéns!!! Ficarei esperando um visita tua em meu tb, ok? Abraços!

Dauri Batisti disse...

Crianças, as crianças renovam nossos eus. Aquilo que fomos e aquilo que estamos destinados a ser ganham força com a convivência com elas. Se prestarmos atenção, é claro...
Belo texto.

beijo

Eurico disse...

Nada como uma crinça pra nos mostrar o melhor da vida...
Muito bom texto. Leve mas profundo.
Abração.