domingo, 16 de novembro de 2008


Farto e faminto

O veludo pêssego é o que me aproxima de você. Lembro que todas as manhãs descascava e punha pedaços suficientes para alcançar-te a boca. Sentia como se do meu amor você provasse e com isso viesse acolher-me em seus braços com a mesma fome que tinhas pela fruta preferida.
Pela manhã, durante seu quinto sono, silenciava a minha presença e saía na ponta dos pés; colhia na banca do feirante a primeira safra do teu alimento com minúcia , com exigência. Esquecia-me. Forrava a mesa e servia o teu apetite. Alimentava-me de você. Quando decidistes deixar a mesa sem pedir licença, fiquei na mais completa miséria.

Rosemeri Sirnes



Foto: Nuno Sacramento

Um comentário:

eadem numero mutata resurgo disse...

Adorei, teve uma ótimo fecho, A última pedra é fundamental pro poema.

Olha este que amo:

"Preciso ver-te,
como Pégaso que busca o sol,

ainda que tua proximidade me derreta,

pois talvez seja este o meu destino.



Preciso ver-te,

ou serei viajante sem bússola,

carcereiro de mim mesmo,

cego sem horizontes nem auroras.



Preciso ver-te

para que possa encontrar algum sentido

nas coisas e seres que me rodeiam

e que falam de ti como miragem.



Preciso ver-te.

Barco na tempestade, nada temerei

se tu, meu farol intermitente,

me guiares com teu código de luz.



Porque só sei amar às claras,

não vou contentar-me com o obscuro.

O vulto imaginado, sem essência,

acaba se desvanecendo e cria um vazio,

somatório de muitos nadas.



Por tudo isso, preciso ver-te e provar-te,

saber-te real, vívida, palpável,

como também o é o meu amor, que ingeres,

escondida, em tua mesa de silêncio.



Por que tardas,

se tanto sabes que preciso ver-te ? "

(Preciso ver-te de Solange Rech)

"Olha neste link com trilha musical ao fundo : http://www.encantosepaixoes.com.br/poesiaSR.htm "



bjs!