terça-feira, 11 de novembro de 2008




Hoje eu terminei de ler o livro “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera. Constatei que todas as mulheres estão em Tereza, inclusive Sabina. Tereza está por todos os lados e tenho raízes suas em mim.
Hoje eu lembrei que tenho que ir à livraria trocar o livro que veio com a página solta. Não posso ser tão flexível, tão subserviente.
Hoje fiz limpeza no quarto, recolhi as roupas, lavei-as, organizei os livros na cesta, por falta de espaço na estante. Me orgulho dessa habilidade de pôr tudo em seu devido lugar.
Hoje você se foi. Posso colocar gelo no uísque, fechar a porta e escutar música alta no meio da tarde.
Hoje eu lembrei que preciso fazer uma compilação dos meus gostos. Há quem confie.
Preciso manter-me de pé apesar do cansaço.
Preciso tirar o pó das malas e planejar minha próxima viagem.
Preciso colocar na ponta do lápis o que é realmente importante.
Preciso ter uma direção e comprar o vestido da festa.
Preciso de carona, enquanto não sai a carteira de motorista.
Preciso devolver livros e dvds. Não plantar desconfiança na cabeça alheia.
Preciso lembrar de não esquecer compromissos que digo que sim e sei não.
Preciso esquecer para não estimular ansiedade.
Preciso calar para não dizer o que nem eu gostaria de ouvir.
Preciso ser menos , no momento em que me agiganto orgulhosa por não mais sentir.
Preciso tirar o seu travesseiro da cama, acabar com a obsessão pelo cheiro.
Preciso entender que não tem volta.
Preciso recolher as roupas do varal, o céu diz lá de cima que vai chover.
Preciso me acostumar a comer em prato raso.
Preciso parar o rádio em uma estação. Preciso ser mais estável.
Preciso ajeitar as coisas do meu jeito, ser auto-confiante.
Preciso abrir os olhos para o que está adiante.
Preciso seguir os conselhos da mãe.
Entender de uma vez por todas a frase “ se um homem trata mal a mãe dele, tratará você tão mal ou pior”
Preciso descansar as idéias.
Preciso escrever para lembrar de todas elas.

Rosemeri Sirnes

Um comentário:

Rodrigo Fernandes disse...

Precisamos Rose, precisamos todos. Precisar nos faz humanos, a im-precisão também.

beijões!

RF