domingo, 7 de dezembro de 2008





Amigos que pousam em meu terreno,

A terra aqui é fofa, macia feito meu tapete da sala. Pode entrar que o cachorro não morde. Na casa tem um sofá de quatro lugares e almofadas espalhadas pelo chão tão confortáveis quanto. O café sai sempre de manhã e à tardinha, com biscoitos amanteigados e uma conversa de fazer crochê.

"Eu, que sempre ao final de cada carta escrevia grande abraço, fiquei outro dia pensando no ônibus, querendo fugir de pensamentos insistentes e da dor de cabeça que esses me causavam; se não seria melhor escrever forte abraço, esse que de fato eu sentia vontade, que possibilita palavras vindas de todas as partes."

"Eu queria dizer eu te amo e a boca reproduzia sons que ele não entendia. Eu sempre achei que fosse esse problema que tenho em usar metáforas, sinônimos que colho nos livros da estante, tempo depois percebi que não falávamos a mesma língua."

"De manhã a claridade toma conta da sala, saio à rua em busca do jornal e planejo promessas que não se cumprirão ao longo do dia. Fábio conhecia-me mais do que eu a mim mesma, ele sempre me pedia para não fazer planos, até então eu não sabia que ele já tinha o bilhete de volta."

"Dormi de caprichar, nada em mim respira cansaço, só a minha cabeça que funciona como maria fumaça, pensando nas estratégias do autor. A teoria parece nunca estar a meu favor, vou pisando em outros terrenos, vôo longe..."

"Estou assim, assim... como dizer pra ficar palpável? Como criança lambendo o vasilhame do bolo que acabou de ir ao forno."

Rosemeri Sirnes

Um comentário:

Eurico disse...

Lambe-se o vasilhame com a esperança de logo mais saborear p bolo gostoso. É isso que desjo pra vc, garota!
Grato pelas visitas ao meu eu-lírico. Serás sempre bem vinda e vou deixar uns biscoitos amanteigados pra vc. O bolo...ah, o bolo ta aí pertim de vc, delicie-se...rsrsrs
Abraço forte e amigo.