quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



LEI DA COMPENSAÇÃO

" Meu bebê ainda não nasceu, não plantei um broto de feijão sequer, mas ele é esperado desde ontem, desde antes, desde quando a dúvida não teve mais vez."

Sabe aquelas horas em que o telefone toca, o relógio dispara em suas aflições de acabou o tempo e todos te solicitam, desde a louça na pia às plantas no quintal? Pois é...semana agitada.

Chego em casa e o corpo cansado atira-se no sofá em frente a porta, disposto desta forma estrategicamente. Meus pés atiram o tênis longe, querendo piso gelado.

Dessas invenções todas, que na época só achava possível nos desenhos dos Jetsons, só não deram jeito de inventar um chuveiro portátil; tudo o que eu desejava. Como não sou Feiticeira nem nada, dou mais alguns passos rumo ao box. Nessas horas eu me pergunto por que não escolhi uma roupa mais leve, vestido e roupa íntima, seria no mínimo prático. Tenho questionamentos até amanhã, e depois de hoje, amanhã será outra vez, aí já viu, essa coisa não tem fim. Meu botão de acionamento automático está cada vez mais obsoleto.

De repente em minha direção, uma menina cambaleante nos passos de seus dez meses, meu pé de hamburguer em seu vestido florido de babados; ela ali sorrindo sem dentes funciona como espinafre do Popeye.

Depois de um rápido banho, me espalho pela sala com seus brinquedos para brincar de panelinha, minha filha me serve doçuras em suas xícaras de chá e ainda pergunta se eu quero mais. Logo enjôa, evidenciando o traço da mãe, corre para o quarto em busca de outros brinquedos; eu, de longe, prevejo a avalanche, a tsunami no quarto. Peço a Deus, dei-me força e Ele aplica mais uma injeção de ânimo.

Jantamos praticamente o mesmo prato. Divirto-me com suas exigências de aviãozinho, divirto-me em vê-la lambuzada com papa que eu tento limpar com a colher, orgulho-me em tê-la princesa do meu reinado. Quando mesmo que essa fase passa? Deixa estar!

Hoje em dia meus livros de cabeceira são todos literatura infantil, meu bebê não dorme se não lhe conto uma história; muitas vezes relato três linhas e estamos ambas tombadas. Acordo de madrugada na caminha miúda com reclamações da coluna e ela dorme fazendo biquinho, toda calma, toda minha menina e olhos do pai, fico ali babando por um tempo – coisa que eu não canso de fazer – e vou reinar na cama sem princesa.

Meu sono nunca foi tão curto e também nunca estive tão feliz. Essa é a lei da compensação.

Rosemeri Sirnes





4 comentários:

poetriz disse...

E pelo visto, a melhor das compensações desse mundo!

"Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!"

Já dizia Vinicius. =)

Bjs!

Esther disse...

Oi Amiga,

Depois dá uma passada no meu blog, tenho um presentinho para vc...

bjs!

Rodrigo Fernandes disse...

Rose você está realmenre ficando boa nisso (em filhos e em escrever sobre eles)...rs

Eurico disse...

Parabéns, é maravilhoso ter filhos.