quinta-feira, 16 de julho de 2009



Yin Yang


Eu: A quem devo a mudança? A quem devo cobrar o passo definitivo? Partir é uma decisão sem pernas. Não me peças para dizer se é certo ou errado pular de um precipício, não perguntes a mim se queres alguma coerência. Eu não faço sentido, minhas frases não se completam e eu não sei onde foi parar a minha sensatez. A quem devo dizer o que basta? Se canso de repetir a mim e não funciona. Quero a vida imperfeita, cheia de atravessados. Nada pode ser certo e morno e garantido. Preciso de aversão e rebeldia.

Eu mesma: Você tem as respostas para as perguntas não feitas, para as questões abafadas no peito para evitar discussões calorosas, você tenta convencer-se de que não te furtas nesse melindre de amar quem você desconfia o mesmo sentimento.
Como te enganas! Como escureces a vista embaixo do lençol em que deitas em companhia. Aflige-me a resposta disposta, engasgada, presa, dando um nó grosseiro na garganta. Ah! Quem teria a resposta exata, certeira, se a vida não é feita de fórmulas matemáticas? Quem dirá quando te enganas e quando adormeces diante da certeza cintilante de um amor distraído?
Não te direis nenhum conselho, é bem capaz que me julgues. Sei bem como corações apaixonados reagem diante da contrariedade.


Rosemeri Sirnes

6 comentários:

fernando disse...

Talvez o diálogo mais dificil, seja o realizado com a gente mesmo, os opostos dentro de um sr, ás vezes parecem nunca se encontrar.

Natasha disse...

Amiga,o diálogo "nosso" de cada dia é sempre assim: profundo,tenso e cheio de respostas em busca de perguntas...100% contradição.

Eurico disse...

Vim ouvir o diálogo. Ou monólogo? Não importa. O que importa é o âmbito estremedido em que ele se dá: a tua vida, a minha, a vida de cada um de nós. É através de um coração humano que todas as coisas se estreitam, se interrogam, buscam a luz. E o sentido? Não existe. Sentido é o que fazemos com a vida ao vivermos. Sentido é estar em alto mar e dar braçadas. Sentido é esse movimento natatório. Braçadas, pois, irmãzinha! Braçadas!

Mas não resisto em comentar o teu sorriso. E a pele de ébano que papai-do-céu te deu...
Viva a vida, menina!
E ame outras vezes, sempre!

Abraço fra/terno.

Eurico disse...

errata:

Onde se lê "estremedido" devia estar "estremecido".

Fuca (Branco) disse...

Rose, gostei disso aqui! A eterna labuta entre ser ou não ser, a consagrada dualidade entre ego e alter ego são questões clássicas de qualquer ser pensante. Deixo por aqui algumas palavras do meu querido mestre que talvez traga algum conforto.


VIVE

Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

Maria disse...

Tu te questionas, tu tens a resposta e por isso mesmo, tu não te respondes. Sinto algo familiar!

Fernando me deu seu endereço e eu não podia deixar de vir aqui. Dei uma voltinha, li, reli e hoje finalmente digo, és realmente admirável!

Saúde e arte!