terça-feira, 6 de abril de 2010





UMA COLHER DE CHÁ, VERDE


Eu estava com as meninas num campo largo, elas corriam em minha direção como se pra lá houvesse alguma salvação. Nós dançamos num campo largo e verde e eu me enxerguei no fundo dos olhos. Elas me diziam que lá haveria salvação. Eu corria e conseguia driblar as pedras e fui dar num lago de água cristalina onde eu enxergava os meus pés e eles não enrugavam, e elas me questionavam “você está vendo a salvação?”. Prosseguia num longo caminho verde, galhos pelo chão, pétalas que abandonavam flores, insetos que insistiam na minha pele, lembro uma vez que os olhos mergulhados naquele verde disse que eu era doce e de alguma forma eu enxergava a minha salvação. Eu ouvia uma música e tudo queria dizer alguma coisa. E bem naquela casa de muro baixo, com ladrilhos desenhados que lembravam as cozinhas combinadas da época da minha avó, eu vi o verde que reluzia todo o tempo e ele me pedia pra voltar. Era a minha salvação, e eu nunca mais fiz aquele caminho novamente.


Rosemeri Sirnes


2 comentários:

Teacher Thiago disse...

G'day Mate

Voltei! ^^

É como dizem... Na Odisséia de Ulisses, o que o salvou várias vezes foi sua inteligência... Pensar e agir.. Sounds good!

See you around!

.

Fragmentos Culturais disse...

... adorei esta introspecção sobre a 'salvação' partindo do verde! Cor de grande simbologia!

Lamento a imensa tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro :(

Beijos,