quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


Meu querido amigo Leandro me enviou essa tirinha da série "Sad but true", gostei tanto que resolvi compartilhar com vocês. Ah! Tomem cuidado por onde pisam, há câmeras por todos os lados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009



Comecei a ler o Diário de Anaïs Nin, ora o encantamento me assume ora a identificação me toma o corpo, e é uma pena que não possa carregá-lo comigo, largá-lo numa estação qualquer onde outros possam lê-lo e sentir o mesmo. Gostaria de me estender em suas trezentas e tantas páginas, mas o tempo de funcionamento da biblioteca me faz abandonar a idéia. Basta uma frase impactante, um qualquer sinal de coisa irmã e estou querendo voltar no tempo e querendo me inundar no mar das palavras virgens.

“...porque a minha felicidade com os seres humanos é tão frágil...”
Anais Nin

Tem um quê de leitura anterior, posterior a essa, como Clarice, tem um quê maior de ineditismo que me abraça.


“A vida de todos os dias não me interessa. Procuro apenas os momentos elevados. Estou de acordo com os surrealistas quanto à procura do maravilhoso.

Quero ser uma escritora que lembre aos outros que estes momentos existem. Quero provar que existe um espaço infinito, um sentido infinito para as coisas, uma dimensão infinita.

Mas não estou naquilo que se pode chamar de estado de graça. Tenho dias de iluminação e febre. Há dias em que a música para na minha cabeça. Então remendo peúgas, limpo árvores, apanho frutos, dou brilho ao mobiliário, Mas enquanto faço isto sinto que não vivo.”

Anais Nin

Sei que devia dizer do livro ao término, das impressões, surpresas e arrebatamentos, sei que o resultado surge após o cálculo detalhado, talvez a minha ansiedade tenha intuído; não, não mesmo, sem talvez, é certo o que digo, diante de encantadoras páginas, 18 de 314. O que mais está por vir é um jardim de orquídeas, girassóis e muitas espécies raras.

“Vive-se assim protegido num mundo delicado, e crê-se que se vive. Então lê-se um livro(Lady Chartterly, por exemplo) ou faz-se uma viagem, ou fala-se com Richard, e descobre-se que não se vive, apenas se hiberna.”

Anais Nin


Retirei da estante 11 livros tendo completa convicção de que nenhum ser humano seria capaz de lê-los de uma só vez nas 3 horas em que planejava ficar; estou aqui desde que cheguei, presa a um mesmo título e querendo carregá-lo comigo. Vejo ele me justificando, me desvendando, me entendendo e tudo isso é uma loucura e ao mesmo tempo somos todos iguais em essência, seres livres receosos da própria vida que queremos viver, seguindo em fila indiana só porque é mais seguro.


“O verdadeiro infiel é aquele que só faz amor com uma fração de ti. E nega o resto."

Anais Nin



sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


Aproveito o "post" de hoje para oferecer honrarias a esse talentoso Henrique Monteiro. Descobri suas caricaturas numa dessas buscas que me levam a lugares interessantes e outros nem tanto, e é claro que ele está incluído no primeiro grupo. Quando me deparei com a caricatura da cantora Esperanza Spalding(essa que demonstro) feita por ele, fiquei extasiada. Em seu espaço http://henricartoon.blogs.sapo.pt tem um bocado de pedras preciosas, coisa que não se pode deixar de ver. Eu não podia ficar alheia e nem vocês podem. Não dizem por aí que o que é bonito é pra se mostrar, então aqui está.



terça-feira, 20 de janeiro de 2009


O bloco passa pela janela me convidando para entrar na festa e o batuque avisa que logo, logo vem o carnaval. Tempo atrás eu diria que a festa profana não me atrai; de fato, o trânsito na ida para o litoral me enerva, dentro de um carro sem ar condicionado em dia de calor escaldante ainda mais; gente bêbada afim de briga também, mas de resto, da folia, das marchinhas, daquela alegria, de paetês, fantasias e o brilho dos desfiles das escolas pelo sambódromo, ah...eu tenho que confessar, meus antecedentes, meu samba no pé(com toda modéstia) e esse sangue que me corre nas veias não me deixam mentir, eu amo! Tempo atrás poderiam me interrogar sobre meu apreço e eu afirmaria a abominação, mas depois que dispensei a tv 21 polegadas e fui ver o desfile na avenida, todo aquele glamour, todo o exagero, toda aquela alegria, no único momento onde ricos e pobres são um; depois disso, eu me rendi.
E os blocos já começam o esquenta, as quadras das escolas, sem contar os ensaios técnicos que antecedem os desfiles oficiais que lotam todas as noites. Deve ser por isso que dizem que o ano só começa depois do carnaval, e se for assim, aproveito a extensão, porque o meu começou faz tempo.



domingo, 18 de janeiro de 2009


Paixão...falou-se muito hoje da palavra, do sentido empregado, não de rompantes, mas do correr devagar nas veias, do caminhar em passos leves sem a pressa dos amantes no afogar-se em si mesmos, da fatia que perdura em nós, nessa garra semente; da paciência pelo germinar, madurar e colher.

Não entendia o tempo que meu avô levava, não entendia essa adoração pela horta, a paciência que invejo desde a ponta. Ele mantém cascas de legumes e frutas como adubo, ele distribui, observa as pragas nas culturas, ele poda e espera crescer, ele celebra cada pequeno fruto, cada flor que se abre acenando resistência. Meu avô tem paixão pela terra e fala das plantações todas, de mandioca à bucha, como a mãe experiente fala sobre sua experiência com recém nascidos.

Paixão... preciso reafirmar, preciso ouvir para poder convencer-me dos dias que passo sem recionalizar o sentimento. A paixão pousa em mim na satisfação do trato com o outro, basta um sorriso em qualquer caso e estou ali entregue. O sorriso estreita diferenças, o sorriso é o convite para entrar em casa, é o cumprimento com os dentes, e é só deixar por conta que as feições todas se encarregam de reverenciá-lo.

Paixão é fósforo aceso que não quer apenas que o palito queime, quer de fato, acender-se de outras formas.

Há paixões de muitas formas e por muitas coisas, de medidas imensuráveis e de categorias várias separadas pelo corredor de variedades que a gente se dispõe. Seja qual for a sua paixão, tenha certeza de que por mais duras penas, o resultado do que se emprega em esforço é sempre maior e dignificante.


Rosemeri Sirnes




terça-feira, 13 de janeiro de 2009





A solidão de alguém que está voltando

Ele voltou ou está voltando. Ao que parece, a cidade afundará um pouco mais com o peso de seu corpo no momento em que descer do ônibus e olhar ao redor e constatar que ninguém o está esperando na rodoviária de tijolos à vista e cinzentos bancos de ardósia.

Ele voltou. Ele não avisou que viria. Quem o estaria esperando?

A cidade afunda um pouco mais com o peso de seu corpo no momento em que desce do ônibus e olha ao redor. A rodoviária está vazia; são oito e quarenta da noite, ele é o único a descer do ônibus e não há ninguém esperando para adentrar o veículo e tomar o seu lugar. Ele ajeita a mochila nas costas, a única bagagem que carrega, e vai ao banheiro. As luzes estão queimadas e o cheiro de desinfetante faz com que ele espirre. Urina com os olhos fechados.

As ruas estão desertas e encharcadas. Ele não avisou que viria. Esteve fora por dois anos. No ônibus, sonhou que viajava no útero de um animal sem asas, uma espécie de lagarto mecânico extremamente ágil, solto na noite mais fria da sua vida. Viajou por vinte e seis horas. Ainda não se acostumou a dizer “ex-esposa”. Dois animais sem asas, subitamente livres um do outro. Ou não. E sim: toda aquela tristeza de fimdepapo.

Ela disse que. Ela disse que queria. Ela disse que queria conversar. Não: ela disse que precisavam conversar. E então emudeceu. Sentada no outro sofá com as mãos unidas sobre o colo, olhando para o tapete sobre o qual, semanas antes, morrera o cachorro, sufocado, diante deles, sem que eles pudessem fazer nada. O veterinário errou. A gente errou. Talvez ela estivesse pensando sobre isso naquele momento. Um erro sobre o outro, um erro instalado dentro do outro. No que não conseguiram evitar, em tudo o que morreu, em tudo o que continuava morrendo. Uma morte sobre a outra, uma morte instalada dentro da outra. E então ela disse:

Eu não agüento mais.

Quarenta e oito horas depois, as malas prontas, a passagem comprada, ela sentou-se na beira da cama, ao lado dele, chorava, ambos choravam, e disse:

Não. Você não precisa ir.

Ele olhou para as malas empilhadas num canto, depois virou a cabeça e fitou o tapete da sala, o cachorro sufocando, e estranhamente pensou que as coisas boas, todas elas, estavam devidamente acondicionadas no cômodo mais arejado de sua cabeça. Vão continuar ali, aconteça o que acontecer. Olhou para ela como se quisesse confirmar isso, mas ela já não tinha olhos, mãos, voz.

Agora, caminhando em direção à casa da avó, sente a cabeça inteiramente vazia. Sem olhos, mãos, voz. Uma sensação terrível.
Ela me ligou, disse-lhe a avó assim que abriu a porta. Contou que você estava vindo. Onde está o resto da sua bagagem?
A senhora não vai acreditar, ele disse, mas eu joguei quase tudo fora.


(Um conto inédito de André de Leones publicado no site Prosa on line. Nascido em Goiânia em 1980, Leones é autor do romance “Hoje está um dia morto”, vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2005, e do volume de contos “Paz na Terra entre os monstros”, ambos publicados pela editora Record)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ontem um amigo disse que sempre quando o ano inicia as pessoas se inundam de pensamentos de mudanças; ele falava como se essas fossem esperanças perdidas. Fui categórica “meu caro, a decisão está nas suas mãos. Eu, por exemplo, posso decidir não ter mais aquela foto na minha cabeceira, posso remover a mancha da parede, posso de repente, tomar as rédeas e dizer não, quando tudo em mim quer dizer sim”. Somos nós que elegemos o descontrole.

Como preciso de tempo para digerir meus pensamentos, minhas teorias e conselhos; desde alguns dias estabeleci certos parâmetros, resolvi solucionar algumas pendengas do passado que permanecem pedras no meu caminho, reabri minha matrícula na faculdade, tive algumas idéias que ganharão dimensão diante do olhar alheio(se bem que isso de ser grande ou pequena, nem importa tanto), fui a favor da palavra e do encontro, de tirar o peso de cima, de afrouxar o nó da garganta.

Sabe essas coisas de acompanhar o germinar da planta, quase me pega essa paciência de esperar madurar.

Tenho alguns brotos, tenho um pé quase todo na estrada e a ponta do outro atrás e tenho alguma coisa especial crescendo em mim, uma novidade de bater o martelo, uma definição.


Idéias entre a penumbra e a luz: show da Alanis e Coldplay, fazer um curso decente de Photoshop e Indesign e arrumar uma forma de ganhar dinheiro extra.