quarta-feira, 3 de dezembro de 2008



A VERDADE DE QUANDO EU MINTO
Foto: Luis Felix

Eu não sei o que escrever para você, porque, de fato, o que tenho aqui é pra te oferecer. As palavras eu escolho como quem escolhe os feijões que serão servidos no almoço. Este espaço eu preencho todos os dias na esperança de que teus olhos enxerguem aqui um motivo qualquer e o convença de ficar. Não me bastam as cartas emitidas, os recados empurrados pela fresta da porta, os recados deixados na caixa postal, quero divulgar esse amor, com meu alto falante. Minha voz rouca nunca será capaz de alcançar tal nota.

O que eu digo para você quando minto, quando as minhas pernas tremem, quando guaguejo, quando o coração faz nada além de quase pular da minha boca para a sua, não chega a metade dessa verdade estendida tapete na corda, meus varais completos.

Eu não começaria a escrever se não fossem teus os motivos. Tua mão esteve junto a minha desde a primeira letra, cobrindo os pontilhados, mas você nunca vai saber; porque eu minto.

Quando envergo a árvore e faço parecer que tudo aqui é sombra, eu disfarço minha intenção; assim como naquele dia em que eu anunciei que a minha ligação era só pra saber se estava tudo bem, mas na verdade, eu queria uma palestra de 2 horas, eu queria tua atenção dispensada, ficar no chão por horas, jogada em atenção. Eu queria que tuas palavras me pegassem pelo braço, me algemassem, mas elas respondem, concordam e desligam.

Tudo o que me atiça contraria.

Essas variações, esses sobrenomes, essa mesa para oito, são ecos do meu silêncio que cochicha: é pra você.


Rosemeri Sirnes


2 comentários:

Eurico disse...

Puxa, Rose, que bela declaração de amor. Vc escreve muito bem.
Abraçamigo e fraterno.

poetriz disse...

Parece eu, doida por atenção e ligando só pra falar "oi".
Mas o que disse aqui, eu nego.
Minto pra ele constantemente, pra não mentir pra mim...

Bjs!